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GUIA TÉCNICO

Desenvolvimento de dobra e fator K

Calcule bend allowance, recuo e dedução de dobra e calibre o fator K com material, raio e processo reais.

Um desenvolvimento plano confiável começa com geometria e cotagem bem definidas. Bend allowance (BA), bend deduction (BD), outside setback (OSSB) e fator K representam relações diferentes. Quando ângulo, raio ou referência dimensional são misturados, o erro aparece diretamente no comprimento desenvolvido.

O fator K funciona melhor como parâmetro calibrado do processo. A equação fornece a estimativa inicial; uma amostra dobrada com chapa, prensa e ferramentas reais fornece o valor que deve alimentar CAD ou a tabela de dobras.

1. Defina as grandezas antes do cálculo

Parâmetros do desenvolvimento de dobra
SímboloSignificadoAplicação
TEspessura da chapaUse a espessura real ou a base especificada no projeto.
RRaio interno finalMantenha separado do raio do punção salvo validação do processo.
AÂngulo percorrido pelo materialNeste texto, plano = 0° e dobra de canto reto usa A = 90°.
KRelação t/T da linha neutraLocaliza a linha neutra através da espessura.
BAComprimento do arco na linha neutraSoma-se aos trechos retos medidos até a tangência.
OSSBRecuo externo até o vértice virtualRelaciona dimensões externas à região da dobra.
BDDedução de dobraSubtrai-se da soma das dimensões externas.

Role a tabela para ver todas as colunas →

Geometria de dobra com espessura, raio interno, linha neutra, ângulo, recuo externo e bend allowance.
Raio, espessura, ângulo e vértice virtual precisam pertencer ao mesmo sistema geométrico.

2. Fixe a convenção do ângulo

Nas fórmulas a seguir, A é o ângulo efetivamente percorrido pela chapa. A condição plana vale 0° e uma dobra em canto reto usa A = 90°. Alguns desenhos e sistemas CAD mostram o ângulo aberto ou incluído; converta essa indicação antes do cálculo.

Essa definição deve constar na tabela de dobras e na documentação de processo. Em ângulos agudos ou obtusos, uma interpretação diferente pode gerar erro significativo mesmo com um K bem calibrado.

3. Calcule BA com o fator K

SOLIDWORKS define K como a distância da face interna à linha neutra dividida pela espessura. Com A em radianos:

BA = A × (R + K × T)

Com A em graus:

BA = π × (R + K × T) × A / 180

R + K × T é o raio da linha neutra no modelo linear. O método linear de desdobramento do Autodesk Inventor utiliza a mesma forma.

O K efetivo varia com material e condição, espessura, raio, direção de laminação, ferramentas, método de conformação e critério de medição. Registre o contexto em que cada valor foi obtido.

4. Use BD com dimensões externas

BA combina naturalmente com comprimentos até os pontos de tangência. BD é prático para abas cotadas externamente até o vértice virtual:

Lflat = L1 + L2 + BA

Lflat = O1 + O2 - BD

Para uma dobra simples com a convenção acima:

OSSB = (R + T) × tan(A / 2)

BD = 2 × OSSB - BA

Identifique o sistema de cotas no cálculo. Dimensão de tangência e dimensão externa ao vértice virtual não podem ser trocadas sem conversão.

5. Calibre K com uma dobra real

Prepare a amostra com a mesma especificação de material, faixa de espessura e orientação planejadas. Use o processo, punção, abertura V e raio alvo de produção. Depois da recuperação elástica, meça ângulo, raio interno e abas.

A partir do comprimento original e das dimensões finais, determine a BD efetiva e derive BA. Com A em radianos:

K = (BA / A - R) / T

Repita o teste para observar a variação normal. Armazene o resultado com material, espessura, ferramenta/raio, faixa angular, máquina/processo e revisão. Mudanças relevantes exigem nova confirmação.

Fluxo da amostra plana à dobra, medição, cálculo do desenvolvimento e calibração do fator K.
Um fator K rastreável por material e processo é mais útil para produção.

6. Exemplo de dobra a 90°

Considere T = 1,5 mm, R = 1,5 mm, K = 0,40 e A = 90°.

Raio da linha neutra: 1,5 + 0,40 × 1,5 = 2,1 mm.

BA = π/2 × 2,1 = 3,299 mm

OSSB = (1,5 + 1,5) × tan(45°) = 3,000 mm

BD = 2 × 3,000 - 3,299 = 2,701 mm

Para dimensões externas de 40 mm e 60 mm:

Lflat = 40 + 60 - 2,701 = 97,299 mm

Trate o valor como ponto de partida geométrico. Para controlar produção, compare com a peça real e ajuste os dados de desdobramento.

7. Monte tabelas de dobra para produção

As chaves úteis incluem material/condição, faixa de espessura, processo, abertura V, punção ou raio obtido, ângulo, direção de laminação quando relevante e K ou BD verificados.

Um K único em grande faixa de espessuras e raios reduz a capacidade de prever o comprimento. Quando o software aceita tabelas medidas, valores experimentais podem representar melhor o processo.

Use controle de revisão. Troca de ferramenta, origem de material ou método de dobra deve acionar a validação da região afetada.

8. Revise o desenvolvimento antes da liberação

Confirme material, espessura, raio final, convenção angular, sistema de cotas, ferramenta/processo, orientação quando necessária e revisão da tabela. Mantenha uma única unidade durante cada cálculo.

Falhas recorrentes incluem reutilizar K de outra condição, interpretar ângulo aberto como ângulo de dobra, misturar cotas externas e tangenciais e alterar o raio sem recalcular o plano.

Veja como escolher o raio de dobra e como dobrar chapa metálica para completar o processo.

Fontes técnicas